{"id":65,"date":"2026-08-25T12:34:58","date_gmt":"2026-08-25T15:34:58","guid":{"rendered":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/?p=65"},"modified":"2026-08-25T12:35:01","modified_gmt":"2026-08-25T15:35:01","slug":"epi-para-trabalho-em-altura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/epi-para-trabalho-em-altura\/","title":{"rendered":"EPI para trabalho em altura: cintur\u00e3o, talabarte, trava-quedas, corda e ancoragem"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nenhum item de prote\u00e7\u00e3o contra quedas funciona sozinho. O cintur\u00e3o s\u00f3 ret\u00e9m a queda se o elemento de liga\u00e7\u00e3o estiver certo; o elemento de liga\u00e7\u00e3o s\u00f3 limita a for\u00e7a se o absorvedor estiver \u00edntegro; o absorvedor s\u00f3 tem espa\u00e7o para atuar se a zona livre de queda tiver sido calculada; e nada disso importa se o ponto de ancoragem n\u00e3o resistir ao esfor\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 por isso que a NR-35 n\u00e3o fala em &#8220;EPI de altura&#8221; como lista de compras, e sim em&nbsp;<strong>sistema<\/strong>. Este guia percorre cada componente do Sistema de Prote\u00e7\u00e3o Individual Contra Quedas \u2014 sele\u00e7\u00e3o, uso, inspe\u00e7\u00e3o e descarte \u2014 separando o que \u00e9 exig\u00eancia da norma do que \u00e9 conven\u00e7\u00e3o de mercado repetida como se fosse lei.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">SPIQ, SPCQ e SPQ: os tr\u00eas nomes que a norma usa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cap\u00edtulo 35.6 da NR-35 trata dos&nbsp;<strong>Sistemas de Prote\u00e7\u00e3o Contra Quedas (SPQ)<\/strong>, definidos no gloss\u00e1rio como o sistema destinado a eliminar o risco de queda ou a minimizar suas consequ\u00eancias. Ele se divide em dois:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>SPCQ \u2014 Sistema de Prote\u00e7\u00e3o Coletiva Contra Quedas.<\/strong>\u00a0Guarda-corpos, plataformas, redes e demais barreiras f\u00edsicas. Deve ser projetado por profissional legalmente habilitado (35.6.3.1).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>SPIQ \u2014 Sistema de Prote\u00e7\u00e3o Individual Contra Quedas.<\/strong>\u00a0O conjunto que o trabalhador veste e conecta. Pode ser de\u00a0<strong>restri\u00e7\u00e3o de movimenta\u00e7\u00e3o<\/strong>,\u00a0<strong>reten\u00e7\u00e3o de queda<\/strong>,\u00a0<strong>posicionamento no trabalho<\/strong>\u00a0ou\u00a0<strong>acesso por cordas<\/strong>\u00a0(35.6.4).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sigla SPIQ aparece com frequ\u00eancia traduzida errada em material de treinamento. Ela significa Sistema de Prote\u00e7\u00e3o Individual Contra Quedas \u2014 n\u00e3o &#8220;sistema de permiss\u00e3o e inspe\u00e7\u00e3o&#8221; nem qualquer varia\u00e7\u00e3o disso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ordem entre os dois n\u00e3o \u00e9 opcional. O item 35.6.3 permite recorrer ao SPIQ apenas em tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es: quando for imposs\u00edvel adotar o SPCQ, quando o coletivo n\u00e3o oferecer prote\u00e7\u00e3o completa contra o risco de queda, ou para atender situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Distribuir arn\u00eas onde caberia guarda-corpo definitivo \u00e9 invers\u00e3o de hierarquia \u2014 e \u00e9 o achado mais comum em auditoria de trabalho em altura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um requisito transversal fecha o cap\u00edtulo: o SPIQ deve ser selecionado de forma que a&nbsp;<strong>for\u00e7a de impacto transmitida ao trabalhador seja de, no m\u00e1ximo, 6 kN<\/strong>&nbsp;em uma eventual queda (35.6.7). Esse n\u00famero \u00e9 o que governa a escolha de absorvedor, comprimento de talabarte e tipo de trava-quedas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cintur\u00e3o de seguran\u00e7a: qual \u00e9 obrigat\u00f3rio e quando<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item 35.6.9 \u00e9 direto: no SPIQ de&nbsp;<strong>reten\u00e7\u00e3o de queda<\/strong>&nbsp;e no de&nbsp;<strong>acesso por cordas<\/strong>, o equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual deve ser o&nbsp;<strong>cintur\u00e3o de seguran\u00e7a tipo paraquedista<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O gloss\u00e1rio o define como o EPI constitu\u00eddo por dispositivo preso ao corpo, destinado a deter e distribuir as for\u00e7as de queda pelo menos nas partes superiores das coxas, p\u00e9lvis, peito e tronco. \u00c9 essa distribui\u00e7\u00e3o que evita que a energia da reten\u00e7\u00e3o se concentre no abd\u00f4men ou na coluna.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O cintur\u00e3o abdominal \u00e9 proibido?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o de forma absoluta \u2014 e essa nuance importa. O que a norma veda \u00e9 us\u00e1-lo onde ela exige o paraquedista: reten\u00e7\u00e3o de queda e acesso por cordas. Em SPIQ de&nbsp;<strong>restri\u00e7\u00e3o de movimenta\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;(que impede o trabalhador de alcan\u00e7ar a zona de risco) e de&nbsp;<strong>posicionamento no trabalho<\/strong>&nbsp;(que o mant\u00e9m posicionado, com as m\u00e3os livres), outros tipos de cintur\u00e3o podem integrar o sistema, desde que compat\u00edveis e selecionados conforme a an\u00e1lise de risco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica industrial, por\u00e9m, a distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fr\u00e1gil: basta a an\u00e1lise de risco identificar possibilidade de queda com diferen\u00e7a de n\u00edvel para que o sistema de restri\u00e7\u00e3o precise ser dimensionado como reten\u00e7\u00e3o de queda (35.6.8.1). Por isso, na d\u00favida, o paraquedista \u00e9 a escolha tecnicamente defens\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conex\u00e3o correta e ajuste<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item 35.6.9.1 exige que o cintur\u00e3o, quando usado em reten\u00e7\u00e3o de queda, esteja conectado&nbsp;<strong>pelo elemento de engate para reten\u00e7\u00e3o de queda indicado pelo fabricante<\/strong>&nbsp;\u2014 o engate dorsal ou peitoral, conforme o gloss\u00e1rio. Conectar no engate lateral de posicionamento, ou em qualquer argola destinada a outra fun\u00e7\u00e3o, descaracteriza o sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre vestir o equipamento, a norma n\u00e3o prescreve um passo a passo \u2014 ela remete \u00e0s instru\u00e7\u00f5es do fabricante. As boas pr\u00e1ticas consolidadas em campo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Inspecionar antes de vestir: fitas, costuras, fivelas, argolas e etiqueta de identifica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Suspender o cintur\u00e3o pelo engate dorsal e desembara\u00e7ar as fitas antes de colocar.<\/li>\n\n\n\n<li>Vestir as al\u00e7as dos ombros, encaixar o peitoral e s\u00f3 ent\u00e3o ajustar as pernas, sem tor\u00e7\u00e3o nas fitas.<\/li>\n\n\n\n<li>Verificar o ajuste final: fitas justas o bastante para n\u00e3o deslizarem e folgadas o bastante para n\u00e3o restringirem a circula\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Posicionar o engate dorsal entre as esc\u00e1pulas, e n\u00e3o sobre a lombar ou a nuca.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fita torcida, al\u00e7a de perna frouxa e engate deslocado s\u00e3o os tr\u00eas desvios que mais aparecem em inspe\u00e7\u00e3o de campo \u2014 e os tr\u00eas agravam a les\u00e3o exatamente no momento em que o equipamento deveria proteg\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Elemento de liga\u00e7\u00e3o: talabarte, absorvedor e trava-quedas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O gloss\u00e1rio define&nbsp;<strong>elemento de liga\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;como o componente que conecta o cintur\u00e3o ao sistema de ancoragem, podendo incorporar um absorvedor de energia. \u00c9 aqui que est\u00e1 a mudan\u00e7a normativa mais recente e mais ignorada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Talabarte integrado com absorvedor: o que mudou em 2025<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Portaria MTE n\u00ba 1.680, de 02 de outubro de 2025, deu nova reda\u00e7\u00e3o ao item 35.6.9.1.1: &#8220;Se o elemento de liga\u00e7\u00e3o utilizado para reten\u00e7\u00e3o de quedas for um talabarte, este deve ser um&nbsp;<strong>talabarte integrado com absorvedor de energia<\/strong>.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mesma portaria inseriu a defini\u00e7\u00e3o no gloss\u00e1rio: talabarte integrado com absorvedor de energia \u00e9 aquele que cont\u00e9m um absorvedor&nbsp;<strong>que n\u00e3o pode ser removido do talabarte sem danific\u00e1-lo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consequ\u00eancia pr\u00e1tica \u00e9 direta e cara: conjuntos montados com talabarte de um lado e absorvedor avulso conectado do outro&nbsp;<strong>deixaram de atender \u00e0 norma<\/strong>&nbsp;para reten\u00e7\u00e3o de queda. Muitos almoxarifados industriais ainda operam com esse arranjo. \u00c9 um item de invent\u00e1rio que precisa entrar no plano de a\u00e7\u00e3o de qualquer diagn\u00f3stico de NR-35 feito a partir de 2026.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Talabarte simples ou em Y<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A norma n\u00e3o obriga o talabarte em Y. O que ela obriga, no item 35.6.11 &#8220;a&#8221;, \u00e9 que a an\u00e1lise de risco considere que&nbsp;<strong>o trabalhador permane\u00e7a conectado ao sistema durante todo o per\u00edodo de exposi\u00e7\u00e3o ao risco de queda<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Onde h\u00e1 deslocamento entre pontos de ancoragem, o talabarte simples cria uma janela de desconex\u00e3o \u2014 e \u00e9 essa janela que o Y elimina, permitindo conectar o segundo ramal antes de soltar o primeiro. Ou seja: o Y n\u00e3o \u00e9 exigido por artigo pr\u00f3prio, mas passa a ser a \u00fanica forma de cumprir o requisito de conex\u00e3o cont\u00ednua nesses cen\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 proibido fazer com o talabarte<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O subitem 35.6.11.1.1 \u00e9 taxativo. Salvo especifica\u00e7\u00e3o do fabricante e respeitadas as limita\u00e7\u00f5es de uso, o talabarte&nbsp;<strong>n\u00e3o pode<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>ser conectado a outro talabarte, elemento de liga\u00e7\u00e3o ou extensor; ou<\/li>\n\n\n\n<li>ser usado com n\u00f3s ou la\u00e7os.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Emendar talabartes para &#8220;ganhar alcance&#8221; e dar n\u00f3 para encurtar s\u00e3o improvisos frequentes em campo. Ambos alteram o comportamento do sistema sob carga e invalidam a certifica\u00e7\u00e3o do conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o talabarte e o trava-quedas devem ser posicionados de modo a restringir a dist\u00e2ncia de queda livre e de forma que, ocorrendo a queda, o trabalhador n\u00e3o colida com estrutura inferior (35.6.11.1).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Trava-quedas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O gloss\u00e1rio define trava-queda como o dispositivo de prote\u00e7\u00e3o contra quedas em opera\u00e7\u00f5es com movimenta\u00e7\u00e3o vertical ou horizontal, conectado ao cintur\u00e3o. O item 35.6.10 acrescenta que o uso do sistema de reten\u00e7\u00e3o por&nbsp;<strong>trava-queda deslizante guiado<\/strong>&nbsp;deve atender \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es do fabricante, em particular quanto \u00e0 compatibilidade do dispositivo com a linha de vida vertical e ao comprimento m\u00e1ximo dos extensores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compatibilidade n\u00e3o \u00e9 detalhe burocr\u00e1tico: trava-quedas e linha de vida de fabricantes ou modelos diferentes podem simplesmente n\u00e3o frear como especificado. \u00c9 um dos poucos pontos em que a norma cita explicitamente o manual do fabricante como fonte de requisito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sistema de ancoragem: o elo que sustenta tudo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Anexo II da NR-35 trata dos sistemas de ancoragem, definidos como o conjunto de componentes do SPIQ que incorpora um ou mais pontos de ancoragem, projetado para suportar as for\u00e7as aplic\u00e1veis. O anexo cobre ancoragem para reten\u00e7\u00e3o de queda, restri\u00e7\u00e3o de movimenta\u00e7\u00e3o, posicionamento no trabalho e acesso por corda.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Onde o ponto de ancoragem pode estar<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item 3.1 do Anexo II admite tr\u00eas configura\u00e7\u00f5es: o ponto diretamente na estrutura, na&nbsp;<strong>ancoragem estrutural<\/strong>&nbsp;(elemento fixado de forma permanente) ou no&nbsp;<strong>dispositivo de ancoragem<\/strong>&nbsp;(elemento remov\u00edvel). A estrutura que integra o sistema deve ser capaz de resistir \u00e0 for\u00e7a m\u00e1xima aplic\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quem pode projetar e instalar<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00e9 o ponto em que boa parte do conte\u00fado dispon\u00edvel na internet contraria a norma. O Anexo II exige:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Ancoragem estrutural e elementos de fixa\u00e7\u00e3o<\/strong>: projetados e constru\u00eddos sob responsabilidade de\u00a0<strong>profissional legalmente habilitado<\/strong>, atendendo \u00e0s normas t\u00e9cnicas nacionais ou, na aus\u00eancia delas, \u00e0s internacionais aplic\u00e1veis (3.2).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Dispositivo de ancoragem<\/strong>: deve ser certificado, ou fabricado conforme normas t\u00e9cnicas nacionais sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado, ou projetado por profissional legalmente habilitado como parte de um sistema completo (3.3).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Instala\u00e7\u00e3o<\/strong>: por trabalhadores capacitados, com inspe\u00e7\u00e3o inicial ap\u00f3s instala\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00e3o ou mudan\u00e7a de local (4.1 e 4.1.1).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa que&nbsp;<strong>tutoriais de &#8220;como fazer sua pr\u00f3pria ancoragem&#8221; com fita, corda e n\u00f3 n\u00e3o descrevem pr\u00e1tica conforme<\/strong>. A NR-35 n\u00e3o ensina n\u00f3s de ancoragem, n\u00e3o os recomenda e n\u00e3o admite ponto de ancoragem improvisado por escolha de conveni\u00eancia no dia da tarefa. Amarrar fita em uma viga sem verifica\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o \u00e9, tecnicamente, operar sem sistema de ancoragem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Marca\u00e7\u00e3o e rastreabilidade<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pontos de ancoragem da ancoragem estrutural devem possuir marca\u00e7\u00e3o feita pelo fabricante ou respons\u00e1vel t\u00e9cnico, contendo (3.2.1):<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>identifica\u00e7\u00e3o do fabricante;<\/li>\n\n\n\n<li>n\u00famero de lote, de s\u00e9rie ou outro meio de rastreabilidade;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>n\u00famero m\u00e1ximo de trabalhadores que podem estar conectados simultaneamente ou for\u00e7a m\u00e1xima aplic\u00e1vel<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pontos j\u00e1 instalados sem marca\u00e7\u00e3o precisam ter a informa\u00e7\u00e3o&nbsp;<strong>reconstitu\u00edda<\/strong>&nbsp;pelo fabricante ou respons\u00e1vel t\u00e9cnico. Sendo imposs\u00edvel recuperar os dados, os pontos devem ser submetidos a ensaios sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado e marcados com o resultado, mantendo rastreabilidade do ensaio (3.2.1.1 e 3.2.1.1.1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em plantas antigas, esse costuma ser o item mais trabalhoso de um plano de adequa\u00e7\u00e3o \u2014 e o mais decisivo, porque um ponto sem marca\u00e7\u00e3o \u00e9 um ponto sem capacidade conhecida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">E os 15 kN?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O n\u00famero de 15 kN circula como se fosse exig\u00eancia da NR-35.&nbsp;<strong>N\u00e3o \u00e9.<\/strong>&nbsp;A norma trabalha com o conceito de &#8220;for\u00e7a m\u00e1xima aplic\u00e1vel&#8221; e exige que ela esteja marcada no ponto. O valor de 15 kN vem de norma t\u00e9cnica de dispositivos de ancoragem \u2014 a ABNT NBR 16325, que estabelece requisitos e ensaios para esses dispositivos e \u00e9 a refer\u00eancia brasileira de projeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale tamb\u00e9m desfazer uma confus\u00e3o frequente: a&nbsp;<strong>ABNT NBR 15475 trata de qualifica\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o de pessoas para acesso por cordas<\/strong>, n\u00e3o de ancoragem. Cit\u00e1-la como fonte do requisito de resist\u00eancia \u00e9 erro que aparece com frequ\u00eancia em procedimentos internos e em material comercial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inspe\u00e7\u00e3o do sistema de ancoragem<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inspe\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do sistema de ancoragem deve seguir o procedimento operacional previsto no anexo, considerando o projeto do sistema e o de montagem, respeitando as instru\u00e7\u00f5es do fabricante, com&nbsp;<strong>periodicidade n\u00e3o superior a 12 meses<\/strong>&nbsp;(4.1.2).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Linha de vida: o que a norma trata e o que ela n\u00e3o trata<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A express\u00e3o &#8220;linha de vida&#8221; n\u00e3o tem verbete pr\u00f3prio no gloss\u00e1rio da NR-35 \u2014 ela \u00e9, tecnicamente, um sistema de ancoragem em configura\u00e7\u00e3o horizontal ou vertical, e por isso est\u00e1 integralmente sujeita ao Anexo II.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso resolve v\u00e1rias d\u00favidas de uma vez:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Linha de vida\u00a0<strong>precisa de projeto<\/strong>\u00a0de profissional legalmente habilitado, como qualquer ancoragem estrutural.<\/li>\n\n\n\n<li>Precisa de\u00a0<strong>marca\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0com o n\u00famero m\u00e1ximo de usu\u00e1rios simult\u00e2neos ou a for\u00e7a m\u00e1xima aplic\u00e1vel. Uma linha dimensionada para um trabalhador n\u00e3o comporta dois, e essa informa\u00e7\u00e3o tem de estar no pr\u00f3prio sistema.<\/li>\n\n\n\n<li>Precisa de\u00a0<strong>inspe\u00e7\u00e3o inicial e peri\u00f3dica<\/strong>, esta com intervalo m\u00e1ximo de 12 meses.<\/li>\n\n\n\n<li>A\u00a0<strong>flecha<\/strong>\u00a0\u2014 a deforma\u00e7\u00e3o da linha sob carga \u2014 entra no c\u00e1lculo da zona livre de queda. Uma linha horizontal longa pode aumentar significativamente a dist\u00e2ncia de queda, e \u00e9 por isso que ela n\u00e3o pode ser instalada por estimativa.<\/li>\n\n\n\n<li>Na linha vertical, vale a exig\u00eancia de compatibilidade entre o trava-quedas deslizante guiado e a linha (35.6.10).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fazer uma linha de vida com corda&#8221; no dia da tarefa, sem projeto, sem c\u00e1lculo de flecha e sem marca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma vers\u00e3o simplificada do sistema \u2014 \u00e9 aus\u00eancia de sistema.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cordas: onde elas entram e onde n\u00e3o entram<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Corda como meio de acesso e de prote\u00e7\u00e3o configura&nbsp;<strong>acesso por cordas<\/strong>, t\u00e9cnica regida pelo&nbsp;<strong>Anexo I<\/strong>&nbsp;da NR-35. O anexo define a t\u00e9cnica como progress\u00e3o com cordas para ascender, descender ou se deslocar horizontalmente, assim como para posicionamento no local de trabalho, normalmente incorporando&nbsp;<strong>dois sistemas de seguran\u00e7a fixados de forma independente<\/strong>&nbsp;\u2014 um como acesso e outro como corda de seguran\u00e7a, esta utilizada com cintur\u00e3o tipo paraquedista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tr\u00eas consequ\u00eancias que os comparativos de corda costumam omitir:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Acesso por cordas \u00e9 atividade espec\u00edfica, com anexo pr\u00f3prio, e n\u00e3o uma alternativa barata a andaime ou plataforma.<\/li>\n\n\n\n<li>O sistema \u00e9\u00a0<strong>duplo e independente<\/strong>. Uma corda s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 acesso por cordas.<\/li>\n\n\n\n<li>A qualifica\u00e7\u00e3o das pessoas para essa t\u00e9cnica \u00e9 objeto da ABNT NBR 15475 \u2014 aqui, sim, a norma correta.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a escolha do cabo em si, a NR-35 n\u00e3o especifica di\u00e2metro, material nem tipo de constru\u00e7\u00e3o. Ela remete \u00e0s normas t\u00e9cnicas nacionais vigentes e \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do fabricante ou projetista (35.5.5.1 &#8220;e&#8221;). O que a pr\u00e1tica t\u00e9cnica consolidada indica:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Corda de baixo alongamento (semiest\u00e1tica), constru\u00e7\u00e3o kernmantle<\/strong>, \u00e9 o padr\u00e3o para acesso e resgate: alonga o suficiente para amortecer sem transformar a descida em oscila\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Corda din\u00e2mica<\/strong>\u00a0\u00e9 projetada para escalada, com queda livre e fator de queda alto \u2014 n\u00e3o para posicionamento nem para linha de seguran\u00e7a de acesso.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Polipropileno n\u00e3o se usa<\/strong>\u00a0em prote\u00e7\u00e3o contra quedas: degrada com exposi\u00e7\u00e3o ultravioleta, tem baixa resist\u00eancia ao calor e desempenho inst\u00e1vel.<\/li>\n\n\n\n<li>O que define a adequa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o di\u00e2metro nominal, e sim a certifica\u00e7\u00e3o do conjunto, a compatibilidade com os dispositivos de progress\u00e3o e freio, e o estado de conserva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como em todo o restante do SPIQ, o que sustenta a conformidade \u00e9 a documenta\u00e7\u00e3o: certificado do equipamento, compatibilidade declarada entre componentes e registro de inspe\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Certificado de Aprova\u00e7\u00e3o e o que ele cobre<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual est\u00e3o sujeitos ao&nbsp;<strong>Certificado de Aprova\u00e7\u00e3o (CA)<\/strong>, exigido pela NR-06. Isso alcan\u00e7a o cintur\u00e3o, o talabarte, o trava-quedas e o capacete.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois cuidados que a pr\u00e1tica de campo exige:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Nem tudo no sistema \u00e9 EPI.<\/strong>\u00a0Ancoragem estrutural e dispositivos de ancoragem n\u00e3o s\u00e3o cobertos pelo CA \u2014 eles seguem a l\u00f3gica de certifica\u00e7\u00e3o, fabrica\u00e7\u00e3o ou projeto do Anexo II. Procurar CA em uma linha de vida fixa \u00e9 procurar o documento errado.<\/li>\n\n\n\n<li>O item 35.6.5 obriga o fabricante ou importador de EPI a\u00a0<strong>disponibilizar informa\u00e7\u00f5es sobre desempenho e limites de uso<\/strong>, considerando a massa total aplicada ao sistema \u2014 trabalhador mais equipamentos. Essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o que permite verificar se o conjunto atende ao limite de 6 kN.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inspe\u00e7\u00e3o: as tr\u00eas que a norma exige<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item 35.6.6 estabelece tr\u00eas inspe\u00e7\u00f5es do SPIQ, com defini\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias no gloss\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Inspe\u00e7\u00e3o inicial<\/strong>\u00a0\u2014 realizada entre o recebimento e a primeira utiliza\u00e7\u00e3o, para assegurar que o componente \u00e9 apropriado \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o pretendida, funciona corretamente, atende aos requisitos normativos e est\u00e1 em boas condi\u00e7\u00f5es.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Inspe\u00e7\u00e3o rotineira<\/strong>\u00a0\u2014 visual e t\u00e1ctil, executada\u00a0<strong>pelo pr\u00f3prio trabalhador antes do in\u00edcio dos trabalhos<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Inspe\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica<\/strong>\u00a0\u2014 controle do equipamento para detectar defeitos, danos ou desgastes, respeitando as instru\u00e7\u00f5es do projetista ou fabricante, com\u00a0<strong>periodicidade n\u00e3o superior a 12 meses<\/strong>. O intervalo pode ser reduzido em fun\u00e7\u00e3o do tipo de utiliza\u00e7\u00e3o, da frequ\u00eancia de uso ou da exposi\u00e7\u00e3o a agentes agressivos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre registro, o item 35.6.6.4 \u00e9 preciso: devem ser registradas as inspe\u00e7\u00f5es&nbsp;<strong>iniciais<\/strong>, as&nbsp;<strong>peri\u00f3dicas<\/strong>&nbsp;e aquelas&nbsp;<strong>rotineiras que tiverem elementos recusados<\/strong>. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 preciso gerar papel a cada in\u00edcio de turno \u2014 mas toda recusa precisa deixar rastro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quando descartar<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item 35.6.6.5 determina que os elementos do SPIQ que apresentarem&nbsp;<strong>defeitos, degrada\u00e7\u00e3o, deforma\u00e7\u00f5es ou que sofrerem impacto de queda<\/strong>&nbsp;sejam inutilizados e descartados. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 estreita: s\u00f3 quando a restaura\u00e7\u00e3o estiver prevista em norma t\u00e9cnica nacional ou, na aus\u00eancia dela, internacional, e de acordo com as recomenda\u00e7\u00f5es do fabricante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 express\u00e3o &#8220;sofrerem impacto de queda&#8221;. Ela n\u00e3o condiciona o descarte a dano vis\u00edvel. Um cintur\u00e3o que reteve uma queda sai de uso mesmo que aparente estar intacto \u2014 a energia absorvida pelas fibras n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel a olho nu. &#8220;Inutilizar&#8221; tamb\u00e9m \u00e9 literal: o equipamento precisa ser danificado antes do descarte, para impedir que volte \u00e0 opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Erros que aparecem em toda inspe\u00e7\u00e3o de campo<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Talabarte de reten\u00e7\u00e3o com absorvedor avulso, em desacordo com a reda\u00e7\u00e3o vigente do item 35.6.9.1.1.<\/li>\n\n\n\n<li>Conex\u00e3o no engate lateral de posicionamento em atividade de reten\u00e7\u00e3o de queda.<\/li>\n\n\n\n<li>Ponto de ancoragem escolhido por conveni\u00eancia, sem marca\u00e7\u00e3o e sem verifica\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o.<\/li>\n\n\n\n<li>Linha de vida instalada sem projeto e sem c\u00e1lculo da flecha, o que invalida o c\u00e1lculo da zona livre de queda.<\/li>\n\n\n\n<li>Trava-quedas de um fabricante em linha de vida de outro, sem declara\u00e7\u00e3o de compatibilidade.<\/li>\n\n\n\n<li>Aus\u00eancia de registro de inspe\u00e7\u00e3o inicial e peri\u00f3dica \u2014 o documento mais pedido em fiscaliza\u00e7\u00e3o e o que menos existe.<\/li>\n\n\n\n<li>Equipamento que reteve queda devolvido ao almoxarifado &#8220;porque n\u00e3o quebrou&#8221;.<\/li>\n\n\n\n<li>EPI com validade controlada apenas pelo CA, sem controle de vida \u00fatil segundo o fabricante.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perguntas frequentes<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os EPIs obrigat\u00f3rios para trabalho em altura?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A NR-35 exige o&nbsp;<strong>cintur\u00e3o de seguran\u00e7a tipo paraquedista<\/strong>&nbsp;no SPIQ de reten\u00e7\u00e3o de queda e de acesso por cordas, com elemento de liga\u00e7\u00e3o adequado \u2014 talabarte integrado com absorvedor de energia ou trava-quedas. Os demais itens, como capacete com jugular, cal\u00e7ado e luvas, decorrem da an\u00e1lise de risco e dos riscos adicionais da atividade, sob a NR-06 e a NR-01. A norma n\u00e3o publica uma lista fechada: quem define o conjunto \u00e9 a AR.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 SPIQ na NR-35?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sistema de Prote\u00e7\u00e3o Individual Contra Quedas. Pode ser de restri\u00e7\u00e3o de movimenta\u00e7\u00e3o, reten\u00e7\u00e3o de queda, posicionamento no trabalho ou acesso por cordas (35.6.4), e s\u00f3 \u00e9 admitido quando n\u00e3o for poss\u00edvel adotar prote\u00e7\u00e3o coletiva, quando esta n\u00e3o oferecer prote\u00e7\u00e3o completa, ou em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Qual a resist\u00eancia m\u00ednima do ponto de ancoragem pela NR-35?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A norma n\u00e3o fixa valor num\u00e9rico. Ela exige que a estrutura resista \u00e0&nbsp;<strong>for\u00e7a m\u00e1xima aplic\u00e1vel<\/strong>, que a ancoragem estrutural seja projetada por profissional legalmente habilitado e que o ponto tenha marca\u00e7\u00e3o indicando o n\u00famero m\u00e1ximo de trabalhadores conectados simultaneamente ou a for\u00e7a m\u00e1xima aplic\u00e1vel. O valor de 15 kN vem da ABNT NBR 16325, norma t\u00e9cnica de dispositivos de ancoragem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O talabarte precisa ter absorvedor de energia?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, quando usado como elemento de liga\u00e7\u00e3o para reten\u00e7\u00e3o de queda. Desde a Portaria MTE n\u00ba 1.680\/2025, ele deve ser um&nbsp;<strong>talabarte integrado<\/strong>&nbsp;com absorvedor \u2014 ou seja, com absorvedor que n\u00e3o pode ser removido sem danificar o talabarte. Absorvedor avulso conectado a talabarte comum n\u00e3o atende.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Posso usar o cinto de seguran\u00e7a depois de uma queda?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o. O item 35.6.6.5 determina que elementos do SPIQ que sofrerem impacto de queda sejam inutilizados e descartados, independentemente de haver dano vis\u00edvel. A restaura\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 admitida quando prevista em norma t\u00e9cnica e autorizada pelo fabricante.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Cinto abdominal pode ser usado em trabalho em altura?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o em reten\u00e7\u00e3o de queda nem em acesso por cordas \u2014 nesses casos, o item 35.6.9 exige o cintur\u00e3o tipo paraquedista. Em sistemas de restri\u00e7\u00e3o de movimenta\u00e7\u00e3o e de posicionamento no trabalho, outros tipos podem integrar o conjunto, desde que selecionados pela an\u00e1lise de risco e compat\u00edveis. Havendo possibilidade de queda com diferen\u00e7a de n\u00edvel, o sistema deve ser dimensionado como de reten\u00e7\u00e3o de queda.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um trabalhador pode instalar o pr\u00f3prio ponto de ancoragem?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A instala\u00e7\u00e3o deve ser feita por trabalhadores capacitados, mas o&nbsp;<strong>projeto<\/strong>&nbsp;da ancoragem estrutural e dos elementos de fixa\u00e7\u00e3o \u00e9 responsabilidade de profissional legalmente habilitado, e o dispositivo de ancoragem precisa ser certificado, fabricado ou projetado sob essa mesma responsabilidade. Improvisar ponto de ancoragem no campo, com fita e n\u00f3, n\u00e3o atende ao Anexo II.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">De quanto em quanto tempo os equipamentos devem ser inspecionados?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inspe\u00e7\u00e3o rotineira antes do in\u00edcio dos trabalhos, feita pelo pr\u00f3prio trabalhador; inspe\u00e7\u00e3o inicial entre o recebimento e o primeiro uso; e inspe\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica&nbsp;<strong>no m\u00ednimo a cada doze meses<\/strong>, com intervalo reduzido conforme o tipo de uso, a frequ\u00eancia e a exposi\u00e7\u00e3o a agentes agressivos. O mesmo prazo m\u00e1ximo de 12 meses vale para a inspe\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do sistema de ancoragem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 a for\u00e7a m\u00e1xima que o sistema pode transmitir ao trabalhador?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">6 kN, conforme o item 35.6.7. \u00c9 esse limite que determina a necessidade do absorvedor de energia e influencia a escolha do comprimento do talabarte e do tipo de trava-quedas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Qual corda usar para trabalho em altura?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A NR-35 n\u00e3o especifica di\u00e2metro nem material: remete \u00e0s normas t\u00e9cnicas vigentes e \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do fabricante ou projetista. Na pr\u00e1tica t\u00e9cnica, corda de baixo alongamento com constru\u00e7\u00e3o kernmantle \u00e9 o padr\u00e3o para acesso e resgate; corda din\u00e2mica \u00e9 para escalada; polipropileno n\u00e3o se usa em prote\u00e7\u00e3o contra quedas. Quando a corda \u00e9 meio de acesso e de prote\u00e7\u00e3o, aplica-se o Anexo I, que exige dois sistemas independentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diagn\u00f3stico do seu invent\u00e1rio de prote\u00e7\u00e3o contra quedas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a de 2025 no elemento de liga\u00e7\u00e3o e a exig\u00eancia de marca\u00e7\u00e3o dos pontos de ancoragem transformaram o invent\u00e1rio de SPIQ em item de plano de a\u00e7\u00e3o para a maioria das plantas industriais. N\u00e3o \u00e9 um levantamento longo, mas exige crit\u00e9rio t\u00e9cnico: identificar o que atende, o que precisa de reconstitui\u00e7\u00e3o de marca\u00e7\u00e3o, o que precisa de ensaio e o que precisa sair de uso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Exato Solu\u00e7\u00f5es Ocupacionais e Ambientais faz esse diagn\u00f3stico integrado ao programa de trabalho em altura, sob responsabilidade t\u00e9cnica do engenheiro Paulo Cassim (CREA-SP 5061290894). Conhe\u00e7a o escopo de&nbsp;<a href=\"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/empresa-de-seguranca-do-trabalho\">atua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica em seguran\u00e7a do trabalho para a ind\u00fastria<\/a>&nbsp;ou fale com a equipe pelo telefone&nbsp;<strong>(16) 99788-8750<\/strong>&nbsp;e pelo e-mail&nbsp;<strong>contato@consultoriaexato.com.br<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando os pontos de acesso em altura servem a campanhas de amostragem em chamin\u00e9 e inspe\u00e7\u00e3o de sistemas de controle de polui\u00e7\u00e3o, o dimensionamento da ancoragem precisa considerar o uso recorrente e o ambiente agressivo \u2014 ponto tratado junto com os programas de&nbsp;<a href=\"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/consultoria-ambiental\">monitoramento e conformidade ambiental da planta<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 em instala\u00e7\u00f5es com medidores nucleares de n\u00edvel e densidade, o ponto de acesso costuma ficar exatamente na regi\u00e3o da fonte, o que exige compatibilizar o sistema de prote\u00e7\u00e3o contra quedas com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/supervisor-de-radioprotecao\">programa de prote\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica e o controle de dose dos trabalhadores expostos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conte\u00fado relacionado<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/o-que-diz-a-nr-35\/\">NR-35: o que diz, o que exige e o escopo da norma<\/a>\u00a0\u2014 para o cap\u00edtulo da norma que rege autoriza\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/fator-de-queda\/\">Fator de queda e zona livre de queda: conceito e c\u00e1lculo<\/a>\u00a0\u2014 para o c\u00e1lculo que dimensiona o sistema de ancoragem e o absorvedor de energia.<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/treinamento-nr-35\/\">Treinamento NR-35: carga hor\u00e1ria, validade e quem pode ministrar<\/a>\u00a0\u2014 para o treinamento que capacita o uso correto de cada equipamento.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nenhum item de prote\u00e7\u00e3o contra quedas funciona sozinho. O cintur\u00e3o s\u00f3 ret\u00e9m a queda se o elemento de liga\u00e7\u00e3o estiver certo; o elemento de liga\u00e7\u00e3o s\u00f3 limita a for\u00e7a se o absorvedor estiver \u00edntegro; o absorvedor s\u00f3 tem espa\u00e7o para atuar se a zona livre de queda tiver sido calculada; e nada disso importa se o ponto de ancoragem n\u00e3o resistir ao esfor\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":66,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[30,26,25,29,12,27,28],"class_list":["post-65","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-trabalho-em-altura","tag-ancoragem","tag-cinturao-paraquedista","tag-epi","tag-linha-de-vida","tag-spiq","tag-talabarte","tag-trava-quedas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65\/revisions\/67"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}