{"id":189,"date":"2026-08-27T09:04:20","date_gmt":"2026-08-27T12:04:20","guid":{"rendered":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/?p=189"},"modified":"2026-08-27T09:04:24","modified_gmt":"2026-08-27T12:04:24","slug":"plano-de-gerenciamento-de-residuos-solidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/plano-de-gerenciamento-de-residuos-solidos\/","title":{"rendered":"PGRS: o que \u00e9, quem \u00e9 obrigado a ter e o que a lei exige no plano"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Plano de Gerenciamento de Res\u00edduos S\u00f3lidos costuma ser tratado como um documento que a empresa &#8220;precisa ter&#8221;. A lei o define de outro modo: pelo art. 24 da Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, o PGRS \u00e9&nbsp;<strong>parte integrante do processo de licenciamento ambiental<\/strong>&nbsp;do empreendimento. N\u00e3o \u00e9 anexo, n\u00e3o \u00e9 entreg\u00e1vel avulso e n\u00e3o vive em pasta separada \u2014 ele integra o processo que autoriza a planta a operar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa distin\u00e7\u00e3o muda tudo o que vem depois: quem \u00e9 obrigado, o que precisa constar, quem assina, de quanto em quanto tempo se revisa e o que acontece quando o plano existe no papel mas n\u00e3o na rotina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A base legal, sem confus\u00e3o de datas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A&nbsp;<strong>Lei n\u00ba 12.305, de 2 de agosto de 2010<\/strong>, instituiu a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos. O regulamento em vigor \u00e9 o&nbsp;<strong>Decreto n\u00ba 10.936, de 12 de janeiro de 2022<\/strong>, que revogou integralmente o Decreto n\u00ba 7.404\/2010 \u2014 ainda citado como vigente em boa parte do material que circula sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale registrar desde j\u00e1 um ponto que gera erro recorrente: a PNRS&nbsp;<strong>n\u00e3o fixa valores de multa<\/strong>. O art. 51 remete \u00e0s san\u00e7\u00f5es da&nbsp;<strong>Lei n\u00ba 9.605\/1998<\/strong>, a lei de crimes ambientais, e de seu regulamento. Quem procura &#8220;a multa da Lei 12.305&#8221; est\u00e1 procurando algo que n\u00e3o existe naquele texto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem \u00e9 obrigado a ter PGRS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 20 lista as situa\u00e7\u00f5es. Para a ind\u00fastria, a resposta \u00e9 direta e n\u00e3o comporta exce\u00e7\u00e3o por tamanho:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Geradores dos res\u00edduos das al\u00edneas &#8220;e&#8221;, &#8220;f&#8221;, &#8220;g&#8221; e &#8220;k&#8221; do art. 13, I<\/strong>\u00a0\u2014 respectivamente, res\u00edduos dos servi\u00e7os p\u00fablicos de saneamento b\u00e1sico,\u00a0<strong>res\u00edduos industriais<\/strong>, res\u00edduos de servi\u00e7os de sa\u00fade e res\u00edduos de minera\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Estabelecimentos comerciais e de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os<\/strong>\u00a0que gerem res\u00edduos perigosos, ou que gerem res\u00edduos n\u00e3o perigosos que, por natureza, composi\u00e7\u00e3o ou volume, n\u00e3o sejam equiparados aos domiciliares pelo poder p\u00fablico municipal.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Empresas de constru\u00e7\u00e3o civil<\/strong>, nos termos do regulamento ou de normas dos \u00f3rg\u00e3os do Sisnama.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Respons\u00e1veis por terminais<\/strong>\u00a0\u2014 portos, aeroportos, terminais alfandeg\u00e1rios, rodovi\u00e1rios, ferrovi\u00e1rios e passagens de fronteira \u2014 e, nos termos do regulamento, as empresas de transporte.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Respons\u00e1veis por atividades agrossilvopastoris<\/strong>, se exigido pelo \u00f3rg\u00e3o competente.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A al\u00ednea &#8220;f&#8221; do art. 13, I, define res\u00edduo industrial como &#8220;os gerados nos processos produtivos e instala\u00e7\u00f5es industriais&#8221;.&nbsp;<strong>N\u00e3o h\u00e1 corte por volume nem por porte.<\/strong>&nbsp;Circula bastante conte\u00fado afirmando que a obrigatoriedade depende da quantidade gerada \u2014 isso n\u00e3o est\u00e1 na lei para o gerador industrial. Volume e natureza aparecem em outro lugar: na possibilidade de o munic\u00edpio&nbsp;<em>equiparar<\/em>&nbsp;a res\u00edduos domiciliares os res\u00edduos de estabelecimentos comerciais e de servi\u00e7os caracterizados como n\u00e3o perigosos (art. 13, par\u00e1grafo \u00fanico).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para microempresas e empresas de pequeno porte, o art. 21, \u00a7 3\u00ba, II, prev\u00ea que o regulamento estabele\u00e7a crit\u00e9rios e procedimentos&nbsp;<em>simplificados<\/em>&nbsp;\u2014 e apenas&nbsp;<strong>desde que as atividades n\u00e3o gerem res\u00edduos perigosos<\/strong>. Simplifica\u00e7\u00e3o de procedimento, n\u00e3o dispensa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O conte\u00fado m\u00ednimo, nos nove incisos do art. 21<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui est\u00e1 o que a maior parte do material sobre PGRS n\u00e3o traz: a lista literal. O art. 21 estabelece que o plano tem o seguinte conte\u00fado m\u00ednimo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>I<\/strong>\u00a0\u2014 descri\u00e7\u00e3o do empreendimento ou atividade;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>II<\/strong>\u00a0\u2014 diagn\u00f3stico dos res\u00edduos gerados ou administrados, com origem, volume e caracteriza\u00e7\u00e3o,\u00a0<em>incluindo os passivos ambientais a eles relacionados<\/em>;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>III<\/strong>\u00a0\u2014 explicita\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis por cada etapa do gerenciamento e defini\u00e7\u00e3o dos procedimentos operacionais das etapas sob responsabilidade do gerador;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>IV<\/strong>\u00a0\u2014 identifica\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es consorciadas ou compartilhadas com outros geradores;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>V<\/strong>\u00a0\u2014 a\u00e7\u00f5es preventivas e corretivas para situa\u00e7\u00f5es de gerenciamento incorreto ou acidentes;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>VI<\/strong>\u00a0\u2014 metas e procedimentos de minimiza\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o, reutiliza\u00e7\u00e3o e reciclagem;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>VII<\/strong>\u00a0\u2014 se couber, a\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>VIII<\/strong>\u00a0\u2014 medidas saneadoras dos passivos ambientais relacionados aos res\u00edduos;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>IX<\/strong>\u00a0\u2014\u00a0<strong>periodicidade de sua revis\u00e3o<\/strong>, observado, se couber, o prazo de vig\u00eancia da respectiva licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois incisos merecem destaque porque quase nunca aparecem em modelo gen\u00e9rico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;<strong>inciso II<\/strong>&nbsp;exige o diagn\u00f3stico dos&nbsp;<strong>passivos ambientais<\/strong>&nbsp;relacionados aos res\u00edduos \u2014 e o VIII exige as medidas saneadoras desses passivos. Um PGRS que descreve o fluxo atual e ignora a \u00e1rea de armazenamento desativada, o solo impactado ou o dep\u00f3sito hist\u00f3rico est\u00e1 incompleto por defini\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;<strong>inciso IX<\/strong>&nbsp;responde \u00e0 pergunta que todo mundo faz e quase ningu\u00e9m responde certo:&nbsp;<strong>a periodicidade de revis\u00e3o do PGRS acompanha a validade da licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 um prazo fixo universal \u2014 \u00e9 o prazo da licen\u00e7a da unidade. Como a validade da LO varia (no estado de S\u00e3o Paulo, entre 4 e 10 anos conforme o fator de complexidade), o ciclo de revis\u00e3o varia com ela.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quem assina<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 22 \u00e9 curto e direto: para a elabora\u00e7\u00e3o, implementa\u00e7\u00e3o, operacionaliza\u00e7\u00e3o e monitoramento de todas as etapas do plano,&nbsp;<strong>ser\u00e1 designado respons\u00e1vel t\u00e9cnico devidamente habilitado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lei n\u00e3o restringe a forma\u00e7\u00e3o. O que define quem pode assinar s\u00e3o as atribui\u00e7\u00f5es profissionais estabelecidas pelo conselho respectivo \u2014 e \u00e9 a\u00ed que costuma haver erro: documento assinado por profissional sem atribui\u00e7\u00e3o para o ato \u00e9 um passivo que s\u00f3 aparece quando algu\u00e9m o questiona. Vale conferir a atribui\u00e7\u00e3o antes, n\u00e3o depois.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aprova\u00e7\u00e3o e presta\u00e7\u00e3o de contas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 24 define o rito. O PGRS&nbsp;<strong>integra o processo de licenciamento ambiental<\/strong>&nbsp;conduzido pelo \u00f3rg\u00e3o competente do Sisnama. Nos empreendimentos e atividades&nbsp;<em>n\u00e3o<\/em>&nbsp;sujeitos a licenciamento, a aprova\u00e7\u00e3o cabe \u00e0 autoridade municipal competente. E quando o licenciamento \u00e9 federal ou estadual, o \u00a7 2\u00ba assegura a oitiva do \u00f3rg\u00e3o municipal, em especial quanto \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o final de rejeitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o termina na aprova\u00e7\u00e3o. O art. 23 determina que os respons\u00e1veis mantenham&nbsp;<strong>atualizadas e dispon\u00edveis<\/strong>&nbsp;ao \u00f3rg\u00e3o municipal, ao \u00f3rg\u00e3o licenciador e a outras autoridades as informa\u00e7\u00f5es completas sobre a implementa\u00e7\u00e3o e a operacionaliza\u00e7\u00e3o do plano. O \u00a7 1\u00ba acrescenta um sistema declarat\u00f3rio com periodicidade&nbsp;<strong>no m\u00ednimo anual<\/strong>, e o \u00a7 2\u00ba prev\u00ea o repasse das informa\u00e7\u00f5es ao&nbsp;<strong>Sinir<\/strong>, o Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es sobre a Gest\u00e3o dos Res\u00edduos S\u00f3lidos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A consequ\u00eancia que quase ningu\u00e9m menciona<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 52 da PNRS estabelece que a observ\u00e2ncia do art. 23, caput, e do art. 39, \u00a7 2\u00ba, \u00e9 considerada&nbsp;<strong>obriga\u00e7\u00e3o de relevante interesse ambiental para efeitos do art. 68 da Lei n\u00ba 9.605\/1998<\/strong>&nbsp;\u2014 o dispositivo que tipifica como crime deixar de cumprir obriga\u00e7\u00e3o de relevante interesse ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Traduzindo: manter as informa\u00e7\u00f5es do PGRS atualizadas e dispon\u00edveis, e prestar as informa\u00e7\u00f5es anuais sobre res\u00edduos perigosos, n\u00e3o \u00e9 uma formalidade administrativa. A lei conectou expressamente esse descumprimento \u00e0 esfera penal ambiental. Esse \u00e9 o tipo de dado que muda a prioridade interna de um item que costuma ficar no fim da fila.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Res\u00edduos perigosos: o regime \u00e9 mais rigoroso<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem gera ou opera com res\u00edduo perigoso est\u00e1 sujeito a tr\u00eas camadas adicionais:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Art. 37<\/strong>\u00a0\u2014 a instala\u00e7\u00e3o e o funcionamento s\u00f3 podem ser autorizados ou licenciados se o respons\u00e1vel comprovar, no m\u00ednimo,\u00a0<strong>capacidade t\u00e9cnica e econ\u00f4mica<\/strong>, al\u00e9m de condi\u00e7\u00f5es para prover os cuidados necess\u00e1rios ao gerenciamento.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Art. 38<\/strong>\u00a0\u2014 as pessoas jur\u00eddicas que operam com res\u00edduos perigosos, em qualquer fase do gerenciamento, s\u00e3o obrigadas a se cadastrar no\u00a0<strong>Cadastro Nacional de Operadores de Res\u00edduos Perigosos<\/strong>, e precisam contar com respons\u00e1vel t\u00e9cnico habilitado, pr\u00f3prio ou contratado, com os dados mantidos atualizados no cadastro.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Art. 39<\/strong>\u00a0\u2014 obriga\u00e7\u00e3o de elaborar plano de gerenciamento de res\u00edduos perigosos (que pode estar inserido no PGRS geral, \u00a7 1\u00ba), manter registro atualizado e acess\u00edvel,\u00a0<strong>informar anualmente<\/strong>\u00a0ao \u00f3rg\u00e3o competente a quantidade, a natureza e a destina\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos, adotar medidas para reduzir volume e periculosidade e\u00a0<strong>informar imediatamente<\/strong>\u00a0a ocorr\u00eancia de acidentes ou sinistros.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A classifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica que sustenta esse enquadramento \u00e9 a da&nbsp;<strong>ABNT NBR 10004<\/strong>: Classe I (perigosos) e Classe II (n\u00e3o perigosos), esta subdividida em II A (n\u00e3o inertes) e II B (inertes). Classifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica, replicada por h\u00e1bito, \u00e9 um dos erros mais caros do tema \u2014 porque um enquadramento errado contamina armazenamento, transporte, destina\u00e7\u00e3o e custo de uma vez s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rastreabilidade: onde a ind\u00fastria paulista realmente emite o MTR<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;<strong>Manifesto de Transporte de Res\u00edduos<\/strong>&nbsp;nacional foi institu\u00eddo pela&nbsp;<strong>Portaria MMA n\u00ba 280, de 29 de junho de 2020<\/strong>, com emiss\u00e3o pelo Sinir. Mas o estado de S\u00e3o Paulo opera sistema pr\u00f3prio, e \u00e9 nele que a escritura\u00e7\u00e3o do res\u00edduo paulista acontece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;<strong>SIGOR<\/strong>&nbsp;\u2014 Sistema Estadual de Gerenciamento Online de Res\u00edduos S\u00f3lidos \u2014 foi institu\u00eddo pelo&nbsp;<strong>Decreto Estadual n\u00ba 60.520, de 5 de junho de 2014<\/strong>. O&nbsp;<strong>SIGOR \u2013 M\u00f3dulo MTR<\/strong>, desenvolvido pela CETESB em acordo de coopera\u00e7\u00e3o com a ABETRE, gerencia os manifestos adaptados \u00e0s particularidades do estado e \u00e9 integrado ao MTR nacional, em conformidade com a Portaria MMA n\u00ba 280\/2020. Seu objetivo declarado \u00e9 controlar o res\u00edduo da origem \u00e0 destina\u00e7\u00e3o final, evitando encaminhamento a locais n\u00e3o licenciados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E h\u00e1 um esclarecimento que a pr\u00f3pria CETESB faz quest\u00e3o de registrar, porque o erro \u00e9 frequente:&nbsp;<strong>o MTR n\u00e3o substitui o CADRI<\/strong>. Mant\u00e9m-se a obrigatoriedade de solicitar o Certificado de Movimenta\u00e7\u00e3o de Res\u00edduos de Interesse Ambiental \u2014 o documento pelo qual o \u00f3rg\u00e3o ambiental aprova o encaminhamento dos res\u00edduos a locais de reprocessamento, armazenamento, tratamento ou disposi\u00e7\u00e3o final. S\u00e3o instrumentos diferentes, com finalidades diferentes, e um n\u00e3o dispensa o outro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 proibido, na letra da lei<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 47 veda expressamente quatro formas de destina\u00e7\u00e3o ou disposi\u00e7\u00e3o final:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>lan\u00e7amento em praias, no mar ou em quaisquer corpos h\u00eddricos;<\/li>\n\n\n\n<li>lan\u00e7amento in natura a c\u00e9u aberto, excetuados os res\u00edduos de minera\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>queima a c\u00e9u aberto ou em recipientes, instala\u00e7\u00f5es e equipamentos\u00a0<strong>n\u00e3o licenciados<\/strong>\u00a0para essa finalidade;<\/li>\n\n\n\n<li>outras formas vedadas pelo poder p\u00fablico.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira hip\u00f3tese \u00e9 a que mais pega ind\u00fastria de m\u00e9dio porte, porque a queima costuma ocorrer em equipamento existente na planta sem que algu\u00e9m tenha verificado se ele est\u00e1 licenciado&nbsp;<em>para essa finalidade espec\u00edfica<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o plano \u00e9 constru\u00eddo na pr\u00e1tica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atendido o conte\u00fado legal, o que separa um PGRS que funciona de um que s\u00f3 cumpre formalidade \u00e9 a ordem do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Come\u00e7a pelo&nbsp;<strong>mapeamento dos processos<\/strong>, n\u00e3o pelas lixeiras. \u00c9 preciso entender onde o res\u00edduo nasce: produ\u00e7\u00e3o, utilidades, manuten\u00e7\u00e3o, laborat\u00f3rios, almoxarifado, \u00e1reas administrativas, refeit\u00f3rio e prestadores de servi\u00e7o alocados na planta. Fontes secund\u00e1rias de gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o sistematicamente subestimadas, e \u00e9 a\u00ed que o diagn\u00f3stico perde ader\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois vem a&nbsp;<strong>identifica\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o de cada corrente<\/strong>, sustentada em caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas e, quando necess\u00e1rio, em laudo. Misturar res\u00edduos de naturezas diferentes para simplificar o controle \u00e9 um atalho que cria risco e, com frequ\u00eancia, aumenta artificialmente o volume que precisa de tratamento mais oneroso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 ent\u00e3o entram os&nbsp;<strong>quantitativos<\/strong>. Onde houver possibilidade de medi\u00e7\u00e3o, pesagem, convers\u00e3o por densidade, balan\u00e7o de massa ou confer\u00eancia documental, a estimativa ampla n\u00e3o se justifica. Quando a estimativa \u00e9 inevit\u00e1vel, ela precisa de crit\u00e9rio e de premissas registradas \u2014 plano sem mem\u00f3ria de c\u00e1lculo perde credibilidade na primeira pergunta t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, cada res\u00edduo precisa estar&nbsp;<strong>vinculado \u00e0 sua rota<\/strong>: acondicionamento, identifica\u00e7\u00e3o, \u00e1rea de armazenamento tempor\u00e1rio, frequ\u00eancia de coleta, transportador, destinador e tecnologia de tratamento ou disposi\u00e7\u00e3o final. Sem essa trilha, a empresa conhece o que gera mas n\u00e3o controla o risco associado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O erro que aparece primeiro em fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;<strong>armazenamento tempor\u00e1rio<\/strong>&nbsp;\u00e9 o ponto que revela mais r\u00e1pido a maturidade do sistema, porque \u00e9 vis\u00edvel. \u00c1rea sem segrega\u00e7\u00e3o f\u00edsica, recipiente inadequado, aus\u00eancia de identifica\u00e7\u00e3o, incompatibilidade qu\u00edmica entre res\u00edduos armazenados juntos e falha de conten\u00e7\u00e3o s\u00e3o sinais imediatos de controle insuficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Construir uma central de res\u00edduos resolve metade do problema. A outra metade \u00e9 regra operacional: tempo m\u00e1ximo de perman\u00eancia, crit\u00e9rio de acesso, inspe\u00e7\u00e3o, limpeza, conting\u00eancia e movimenta\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perguntas frequentes<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Toda ind\u00fastria precisa de PGRS?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim. O art. 20, I, da Lei n\u00ba 12.305\/2010 sujeita ao PGRS os geradores de res\u00edduos industriais \u2014 definidos no art. 13, I, &#8220;f&#8221;, como os gerados nos processos produtivos e instala\u00e7\u00f5es industriais. N\u00e3o h\u00e1 limite de volume nem corte por porte para esse enquadramento. Microempresas e empresas de pequeno porte podem ter procedimento simplificado, previsto em regulamento, desde que n\u00e3o gerem res\u00edduos perigosos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">De quanto em quanto tempo o PGRS deve ser revisado?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio plano deve declarar sua periodicidade de revis\u00e3o, observado o prazo de vig\u00eancia da licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o (art. 21, IX). N\u00e3o existe prazo fixo universal. Al\u00e9m do ciclo declarado, mudan\u00e7a de processo, novo insumo, expans\u00e3o de linha, troca de destinador ou altera\u00e7\u00e3o de layout altera o perfil de gera\u00e7\u00e3o e pede revis\u00e3o antecipada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quem pode assinar o PGRS?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 22 exige respons\u00e1vel t\u00e9cnico devidamente habilitado, sem restringir a forma\u00e7\u00e3o. Quem define a habilita\u00e7\u00e3o s\u00e3o as atribui\u00e7\u00f5es profissionais do conselho respectivo. Vale confirmar a atribui\u00e7\u00e3o antes da assinatura \u2014 documento assinado por quem n\u00e3o tem atribui\u00e7\u00e3o para o ato compromete a validade da pe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O PGRS precisa ser aprovado por algum \u00f3rg\u00e3o?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele integra o processo de licenciamento ambiental conduzido pelo \u00f3rg\u00e3o competente (art. 24). Em empreendimentos n\u00e3o sujeitos a licenciamento, a aprova\u00e7\u00e3o cabe \u00e0 autoridade municipal. Al\u00e9m disso, o art. 23 exige manter as informa\u00e7\u00f5es sobre implementa\u00e7\u00e3o e operacionaliza\u00e7\u00e3o atualizadas e dispon\u00edveis, com sistema declarat\u00f3rio de periodicidade no m\u00ednimo anual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O MTR substitui o CADRI?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o. A CETESB registra expressamente que se mant\u00e9m a obrigatoriedade de solicitar o CADRI, o Certificado de Movimenta\u00e7\u00e3o de Res\u00edduos de Interesse Ambiental. O MTR rastreia a movimenta\u00e7\u00e3o; o CADRI \u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do \u00f3rg\u00e3o ambiental quanto ao destino. S\u00e3o instrumentos distintos e cumulativos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quais as consequ\u00eancias de n\u00e3o ter PGRS ou de mant\u00ea-lo desatualizado?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A PNRS n\u00e3o fixa valores: o art. 51 remete \u00e0s san\u00e7\u00f5es da Lei n\u00ba 9.605\/1998 e de seu regulamento. H\u00e1 ainda o efeito sobre o licenciamento, j\u00e1 que o plano integra o processo. E o art. 52 vai al\u00e9m, ao classificar a observ\u00e2ncia do art. 23, caput, e do art. 39, \u00a7 2\u00ba, como obriga\u00e7\u00e3o de relevante interesse ambiental para efeitos do art. 68 da Lei de Crimes Ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em opera\u00e7\u00f5es com m\u00faltiplas correntes de res\u00edduo, passivo hist\u00f3rico ou renova\u00e7\u00e3o de licen\u00e7a pr\u00f3xima, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/consultoria-ambiental\">elabora\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o do plano de gerenciamento de res\u00edduos<\/a>&nbsp;costuma render mais quando parte do processo produtivo, e n\u00e3o de um modelo pronto. A Exato atua nessa constru\u00e7\u00e3o, do diagn\u00f3stico em campo \u00e0 evid\u00eancia que sustenta a destina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conte\u00fado relacionado<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/gestao-de-residuos-industriais\/\">Gest\u00e3o de res\u00edduos industriais: invent\u00e1rio, rastreabilidade e destina\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0\u2014 para o invent\u00e1rio e a rastreabilidade que sustentam o plano.<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/licenciamento-ambiental\/\">Licenciamento ambiental: o que \u00e9, para que serve e como funciona<\/a>\u00a0\u2014 para o licenciamento ambiental do qual o plano costuma ser condicionante.<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/plano-de-gerenciamento-ambiental\/\">Plano de gerenciamento ambiental: estrutura, metas e evid\u00eancias<\/a>\u00a0\u2014 para a gest\u00e3o ambiental mais ampla em que o plano de res\u00edduos se encaixa.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Plano de Gerenciamento de Res\u00edduos S\u00f3lidos costuma ser tratado como um documento que a empresa &#8220;precisa ter&#8221;. A lei o define de outro modo: pelo art. 24 da Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, o PGRS \u00e9\u00a0parte integrante do processo de licenciamento ambiental\u00a0do empreendimento. N\u00e3o \u00e9 anexo, n\u00e3o \u00e9 entreg\u00e1vel avulso e n\u00e3o vive em pasta separada \u2014 ele integra o processo que autoriza a planta a operar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":179,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[183],"tags":[187,184,189,186,190,185,188],"class_list":["post-189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-residuos-e-meio-ambiente","tag-cadri","tag-lei-12-305","tag-mtr","tag-pgrs","tag-plano-de-gerenciamento-de-residuos-solidos","tag-pnrs","tag-sigor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=189"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":195,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189\/revisions\/195"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/179"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/consultoriaexato.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}